28 de março de 2017

Rara

Nos últimos meses tenho-me confrontado com o facto de que sou mais rara do que julgava... mas até nisto?

22 de março de 2017

O tamanho do mundo

Sabiam que Portugal, sendo um país pequeno, é na verdade pouco menor do que a Islândia, praticamente com a mesma área que a Hungria e maior do que a Irlanda? E que, apesar de nos mapas a Rússia parecer bem maior do que África, na verdade tem metade do tamanho?

Tudo porque, na escola, estudámos por mapas com a projeção de Mercator, que ao passar para duas dimensões um globo de três dimensões, acaba por distorcer o tamanho dos territórios.

Nas escolas de Boston começa-se agora a estudar o mundo pela projeção de Gall-Peters, com proporções mais fidedignas:


Espreitem este artigo da Visão, com estes e outros exemplos. Bem interessante.

21 de março de 2017

Um otimista na América, de Italo Calvino

Há tanto tempo que não lia nada de Calvino que já mal me lembrava de que era tão bom.

No final dos anos 50 e início dos anos 60, graças a uma bolsa da Fundação
Ford, Calvino passou seis meses nos Estados Unidos da América, deambulando por vários estados tal como tantos (incluindo eu) sonham.

Nova Iorque foi a sua cidade de eleição, e aquela onde passou mais tempo, mas Calvino partilha connosco também as suas impressões sobre Chicago, Detroit, Cleveland, Los Angeles, São Francisco, Boston, Nova Orleães e Savannah.

Sempre com um espírito positivo, descreve as cidades, a sua geografia, a sua arquitetura e sobretudo as suas gentes. Mas há algo que registou há 50 anos, quando regressou a Nova Iorque para terminar a sua viagem, que tomara a nós se verificasse em alguns casos nos dias de hoje:

"Estive fora dois meses e já não reconheço os lugares: casas que não havia antes, perspetivas que desapareceram. Contudo aqui não se sente o mesmo que em Itália. Porque entre nós quem vê surgir um feio edifício para especulação tem uma sensação de embrutecimento definitivo, sabe que irá tê-lo diante dos olhos toda a vida, que o verão os seus filhos e os seus netos. (...) Mas fica sempre esta consolação: à provisoriedade do belo corresponde a provisoriedade do feio; uma casa feia dura pouco, trata-se apenas de aguardar."

15 de março de 2017

Parabéns, Babá

Pelos 93 anos que faria hoje. Já lá vão 20 desde que nos deixou, mas a partir do ano passado tem mais dois seres por quem olhar, as suas bisnetas, que espero que herdem todas as suas qualidades: a inteligência, o amor pelos animais, a capacidade de adaptação e, sobretudo, o carinho que demonstrava por nós conseguindo sempre conciliá-lo com a disciplina.

14 de março de 2017

A peste, de Albert Camus

Shame on me, que nunca tinha lido um livro de Albert Camus. E desconfio seriamente de que tenha começado por um dos melhores.

Tudo se passa nos anos 40, numa cidade fictícia da Argélia, quando começam a aparecer ratos mortos pela cidade. Aquando da morte das primeiras pessoas, todos julgam ser algo passageiro e os ratos mortos um pequeno incómodo, até que de um momento a peste faz jus ao seu nome. Mata dezenas por dia e obriga ao fecho repentino da cidade, que fica de quarentena. Ninguém pode entrar nem sair.

Assim, assistimos ao desespero dos que ficam: os que tentam fugir da peste, os que tentam salvar os outros da peste, e os que apenas querem sair porque têm alguém lá fora, sem querer saber da peste.

Gostei muito. Já tenho ali O estrangeiro à espera.