22 de novembro de 2017

O homem que perseguia a sua sombra, de David Lagercrantz

Tenho gostado de ler estes dois últimos livros da saga Millenium, escritos por David Lagerkrantz depois da morte de Stieg Larsson. Desta vez, tudo começa com Lisbeth Salander presa temporariamente, apesar de (e por causa de) ter salvado a vida a uma criança autista no volume anterior. Na prisão, vive à sua maneira os típicos conflitos e jogos de poder, até ter de entrar em ação para defender uma reclusa alvo de maus tratos.

Cá fora, Mikael Blomqvist tenta decifrar o mistério que envolve Holger Palmgren, o velho tutor de Lisbeth, e Leo Mannheimer, um homem de negócios com veia artística totalmente descontente com a vida e de comportamentos contraditórios. As investigações acabam por levá-lo a sinistras experiências com gémeos levadas a cabo por um grupo de médicos suecos. Experiências que acabam por ter indiretamente influência na vida de Blomqvist e diretamente na vida de Lisbeth.

Para quem já começou a saga, vale a pena ler. Para quem ainda não leu nenhum volume, deve começar pelos primeiros, para ao chegar aqui perceber de que massa são feitos os dois protagonistas das histórias.

20 de novembro de 2017

Ser mãe de gémeas é... #44

... conseguir que o simples facto de estar sentada se transforme num carrossel para duas criaturas felizes.









17 de novembro de 2017

Dia Mundial da Prematuridade

Neste dia, não podia deixar de louvar as minhas filhas, que vieram ao mundo às 34 semanas de gestação e cujas primeiras horas de vida foram muito difíceis. Felizmente, disso nunca terão memória e para a história ficarão apenas estas fotografias.

A Maria e a Luísa no dia 3 de junho de 2016, com duas horas de vida:




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A Maria e a Luísa ontem, com 531 dias de vida:

15 de novembro de 2017

As últimas testemunhas, de Svetlana Alexievich

Svetlana Alexievich, prémio Nobel da Literatura em 2015, tem um estilo muito próprio. Não escreve ficção, mas relatos da vida real. Foi assim em Vozes de Chernobyl, em que reúne o mais importante dos testemunhos de mais de 500 sobreviventes ao desastre nuclear, e é assim em As últimas testemunhas.

Neste livro de relatos, as testemunhas são adultos que relatam na primeira pessoa a sua experiência enquanto crianças na Rússia invadida pelos nazis na II Guerra Mundial. O que contam são coisas incríveis, muitas vezes episódios que só imaginaríamos nos nossos piores pesadelos, mas que foram vividos por crianças entre os 2 ou 3 anos e os 13 ou 14 anos.

O trabalho de Svetlana é extraordinário. Além das centenas de entrevistas que teve de fazer, consegue criar uma narrativa com o mais interessante de cada uma, num encadeamento lógico em que aprendemos sobre muitas coisas que nunca deviam ter acontecido. Já tenho na minha lista mental outro livros dela, A guerra não tem rosto de mulher, sobre o papel das mulheres na II Guerra Mundial.

13 de novembro de 2017

Este tópico é para a Clara

No sábado estava num dia mau. Em casa com as miúdas desde o sábado passado a limpar vomitados e preocupada com elas (duas gastroenterites, uma bronquiolite e uma otite bilateral), a precisar de ir trabalhar, sem poder tratar de assuntos de saúde da Loba e da Vespinha... Na verdade, a sentir-me impotente e um pouco inútil.

Vinha da farmácia com as miúdas no carrinho quando uma ciclista me aborda e me pergunta se sou a Vespa. Disse que gosta muito de aqui vir, desde os tempos em que a Vespa Mota ainda andava ativa, e que agora continua a acompanhar, pelas miúdas e pelos livros. É a Clara. O meu dia melhorou, fiquei a sentir-me um bocadinho mais útil. Obrigada!

10 de novembro de 2017

Copenhaga: as maravilhas

Aqui, aquelas coisas que recomendo a toda, toda a gente, porque não serão de certeza uma desilusão. São coisas únicas no mundo.

Lousiana Museum of Modern Art
Apesar de já me terem dito que valia muito a pena, acho que é mesmo indispensável. A coleção é muito interessante (destaco as esculturas esguias de Giacometti), as exposições temporárias também, e a ligação entre as várias partes do edifício e o exterior que conjuga arvoredo com mar é fantástica. O restaurante dá vontade de lá ficar durante horas e a loja seria uma perdição se eu tivesse dinheiro. Imperdível mesmo.


Tivoli Gardens
Um parque de diversões à moda antiga, isto é, sem megalomanias mas muito alegre. Fez-me lembrar a nossa velha feira popular, mas com divertimentos mais arrojados e com um ambiente muito mais bonito e mágico. Muita luz ambiente, muitos restaurantes, muitos doces, muitos gritos de excitação, muitas barraquinhas de brindes, muitos risos de crianças. Um local onde qualquer pessoa gostaria de ir.


Glyptoteket
Estava nos meus planos visitar este museu de escultura criado pelo fundador da Carlsberg, mas não fazia ideia do que me esperava. São autênticas florestas de estátuas que nos fazem perdermo-nos lá pelo meio, em salas ligeiramente obscurecidas para realçar o mármore das peças. O jardim de inverno, com a sua cúpula de vidro, é também muito agradável. Um museu diferente.

9 de novembro de 2017

Copenhaga: as surpresas

Aqui, aquelas coisas que surgiram por acaso ou por mera sorte e que transformaram momentos banais em momentos memoráveis.

Exposição Stanley Kubrick
Está numa galeria a que não tinha planeado ir, a Kunstforeningen Gl. Strand, mas ao saber desta exposição não pude deixar de entrar. Estão lá todos os filmes do realizador, alguns acompanhados de objetos irónicos originais. Os fatos dos símios de 2001, os vestidos das miúdas e a máquina de escrever de Shining, entre uma data de outras coisas. Fiquei com vontade de ver os filmes todos.


Exposição Nordic Noir Art 
Ao descer a rampa em espiral da Torre Redonda (Rundetaarn, um dos melhores locais para uma vista mais elevada sobre a cidade), reparei numa saída a meio para uma sala bem iluminada. Lá dentro, o trabalho de dois artistas, Carsten Krogstrup e Steen Larsen, com obras hiper-realistas cheias de histórias para contar.



Superkilen 
Não tinha planeado ir, porque fica um bocado longe do centro, mas acabei por aproveitar o autocarro gratuito para lá ir. É um parque curioso equipado com peças de várias zonas do mundo (de Lisboa está lá um dos bancos riscados da Expo), numa perspetiva multicultural que se enquadra muito bem na zona onde se insere.


Exposição Rineke Dijkstra
Está no Louisiana Museum e é uma grande mostra das mega fotografias de Rineke Dijkstra. São várias as coleções: a de jovens na praia que, apenas pela sua atitude e só de fato de banho, refletem bem o país e a cultura onde vivem; a de três irmãs fotografadas periodicamente ao longo de seis anos; a de recém-mães (uma, uma hora depois de ser mãe, outra após um dia e outra após uma semana); a de crianças irmãs fotografadas no ambiente que os pais querem, vestidas com as roupas que os pais querem...


Museu Marítimo da Dinamarca
Não planeara lá ir, mas no comboio a caminho do Louisiana decidi avançar por mais umas estações e ir espreitar. Fica em Helsingor, construído num subterrâneo a partir de uma doca seca, com projeto do ateliê BIG. Além de valer pelo edifício, a exposição é muito interessante e interativa, explorando a vida dos marinheiros, os seus hábitos em terra e no mar, os instrumentos que usavam, as mercadorias transportadas... Tudo muito, muito atrativo.


As crianças
Nunca tinha estado de férias num local tão frio (excetuando algumas temporadas na neve), por isso foi muito engraçado ver a quantidade de bebés transportados nos seus carrinhos faça chuva ou faça sol (e apanhei máximas de 7 ºC). É um facto: o clima não é impedimento para nada.


A facilidade em andar a pé
Estava com um certo receio de me cansar muito depois do que me sucedeu o ano passado, até porque há muito tempo que não fazia uma viagem “de cidade”. Mas foi fácil, muito. Andei bastante e nem senti necessidade de andar de bicicleta para chegar a alguns locais mais distantes. 

Os cafés
São bons e muitos, estão em todo o lado. Com uma boa quantidade e variedade de bolos e pão (sim, há pão muito bom na Dinamarca, e não precisa de ser daquele escuro e amargo), até livrarias mais pequenas têm o seu cafezinho lá dentro. Muito acolhedores e sempre com gente sozinha ou na conversa.