18 de janeiro de 2018

Diários de uma sala de aula

Numa época em que tanto se fala de professores e de alunos, do que se passa nas escolas e do que não se devia passar, este livro é uma boa abordagem ao tema. Duas professoras, quatro alunas e uma mãe partilham connosco o seu diário escolar.

As professoras escolhidas parecem-me ser daquelas professoras exemplares, com verdadeiro amor à camisola e que prescindem de grande parte do seu tempo pessoal para se dedicarem ao ensino e aos alunos. Não retratarão toda a classe docente, mas quero acreditar que representem uma grande parte. Atravessa os seus diários uma certa angústia relativamente ao sistema educativo e ao Ministério da Educação, além da preocupação com os seus alunos.

Já as alunas queixam-se sobretudo dos professores, daqueles que debitam a matéria sem qualquer interesse em quem têm à frente. Também elas não serão o exemplo dos estudantes portugueses, até porque uma boa parte não conseguirá fazer as reflexões que fazem, mas muito do que dizem parece-me ser transversal à maioria.

A mãe de duas filhas, residente nos Estados Unidos, faz uma boa comparação entre aquele sistema de ensino e o português. Se por um lado tudo é mais organizado e mais participativo (com os pais a terem um papel muito presente na escola), por outro a exigência na área dos conhecimentos é bem menor.

Como já disse, nenhuma destas pessoas é representativa do seu grupo social, mas conseguem ainda assim apresentar-nos um bom retrato do que se passa nas salas de aula e nas escolas portuguesas.

16 de janeiro de 2018

12 de janeiro de 2018

O grande showman, de Michael Gracey

Desde La la land que não via um musical, e confesso que desse não gostei muito. Os "meus" musicais são Moulin Rouge e Mamma mia. E, agora, este. Talvez pelo ambiente mágico um pouco ao estilo de Moulin Rouge. Talvez pela histeria um pouco ao estilo de Mamma mia. Talvez pelas músicas que não me deixaram parar de dar à perna.

Baseado numa história real, a de P. T. Barnum, um dos precursores do showbiz na América do Norte do século XIX, o filme conta a forma como tudo começou, depressa passando para o crescimento do negócio. O circo criado por P. T. Barnum (Hugh Jackman) é na verdade um freak show, povoado de pessoas diferentes: o anão, o gigante, o rapaz-cão, a mulher barbuda... Mas Barnum não se contenta com sucesso entre as massas, ele quer ser reconhecido pela alta sociedade e isso pode tornar-se na sua ruína.

Aquilo de que gostei menos foi da interpretação de Hugh Jackman. De resto, gostei de tudo: da fotografia, da banda sonora, das coreografias. Acrescento que a crítica do Público arrasou com o filme. Mas também que essas críticas nunca estão a par do que vejo.

11 de janeiro de 2018

Suburbicon, de George Clooney

Tudo se passa nos anos 50, numa pequena cidade norte-americana tida como perfeita, onde as famílias são todas exemplares e nada de mau se passa. Até que dois eventos abalam a pacatez do dia a dia: o assassínio de uma mãe de família durante um assalto e a chegada de uma família negra.

A histórias são contadas em paralelo, com poucos pontos de contacto. A questão da família negra retrata a América dos anos 50, uma América racista onde ninguém se coíbe de o demonstrar das piores maneiras possíveis.

Já o assassínio da mãe de família é o foco do filme. Gardner Lodge (Matt Damon) fica com o filho Nicky (Noah Jupe), sendo muito depressa acompanhado pela irmã gémea da sua mulher (Julianne Moore), que aos poucos se vai tornando nela. Pelo meio, surge a máfia, num contexto que aqui não posso referir sob pena de criar um spoiler.

A história base é dos irmãos Coen, que nunca chegaram a realizar o filme. O ambiente dos anos 50 está excelente, acompanhado por uma fotografia saturada que ainda lhe confere um hiper-realismo. As representações estão ótimas (adorei o ator que faz o papel de Nicky). Gostei deste filme.

10 de janeiro de 2018

Coração de mãe sofre...

Anteontem a Luísa sofreu o seu primeiro «acidente» doméstico (isto se descontarmos um entalão numa unha há uns meses, unha essa que acabou por cair): ao disputar um banquinho com a irmã, caiu, bateu com a boca e perdeu um dente da frente.

Ela pouco chorou, quem chorou e muito fui eu, logo a fazer filmes: a pensar que iriam gozar com ela, que lhe afetaria a fala... A educadora descansou-me, explicou-me que até aos 6-7 anos os miúdos não ligam a essas coisas, até porque a maior parte anda desdentada. Quanto à fala, vamos ver.

Entretanto, aprendi umas coisas: se algo parecido voltar a acontecer, e se o dente estiver inteiro, há que colocá-lo em leite e ir de imediato a um dentista onde se possa intervir (de noite acho que não há mesmo hipótese...). E a partir de agora, ir vigiando para o espaço que lá ficou não diminuir, de modo a não afetar a posterior vinda dos definitivos.

Em resumo: uma chatice que não tem solução mas que também não é algo assim tão grave. Mas para o meu coração de mãe é.

9 de janeiro de 2018

Sete irmãs, de Tommy Virkola

Este filme já não está nas salas de cinema, aliás vi-o mesmo no final do período de exibição e tive de ir aos cinemas deprimentes do Alvaláxia para o poder fazer.

O trailer prometia: em 2073, o excesso de população mundial conduz a uma política de filho único, em que qualquer criança nascida fora da quota tem de ser dada para uma suposta congelação. Nesta conjuntura, nascem sete gémeas, que durante o parto ficam sem mãe. É o avô que as acolhe e que, recusando-se a prescindir delas, as esconde através de um processo relativamente simples: cada uma é batizada com um dia da semana, dia esse que é o único em que pode sair à rua. E todas saem no seu dia, mas sempre com a mesma identidade, a de Karen Settman. Até que um dia, Monday não regressa a casa, e no dia seguinte Tuesday tem de ir à procura dela, correndo todos os riscos do mundo apocalíptico em que vivem.

Julgava que ia ver um filme que explorava o desafio de sete pessoas partilharem uma mesma identidade, mas acabei por deparar com um filme de ação cheio de violência. A interpretação de Noomi Rapace é excelente, sem dúvida, mas esperava algo diferente. Para quem queira ver um filme com uma boa dose de violência, será uma boa escolha. Para mim, ficou aquém do que esperava.

8 de janeiro de 2018

Mãe!, de Darren Aronofsky

Um casal recém-casado vive numa casarão isolado, ela (Jennifer Lawrence) a tentar recuperá-lo de um incêndio, ele, poeta (Javier Bardem), com uma crise de inspiração. Neste ambiente opressivo, uma noite o casal é visitado por um desconhecido (Ed Harris), que depressa se instala lá em casa e cuja mulher (Michelle Pfeiffer) também acaba por aparecer. Tudo isto com a alegre aceitação do Poeta, que parece ter com o casal uma estranha intimidade.

Quando finalmente os "convidados" partem, ela engravida e, em estado de êxtase, o Poeta entra numa produção obsessiva. O poema acaba por emergir, gerando uma onda de adoração ao Poeta que se torna demoníaca, com centenas de pessoas a entrarem pela casa adentro, desmantelando-a para poderem obter um pedaço do Poeta. Este, regozija-se. A sua mulher vive a incredulidade e o pânico.

Este é um filme de terror sufocante, mas um terror carregado de surrealismo. Um filme estranho, no fundo.

Semana de pôr o cinema em dia

Nas últimas semanas tenho visto uma série de filmes, graças à minha mãe que fica com as miúdas às quintas-feiras. Por preguiça, fui deixando para mais tarde escrever a minha opinião, mas em alguma altura teria de ser. É esta semana, pela ordem em que vi os filmes.

4 de janeiro de 2018

E o que leste em 2017, Vespinha?

35 livros lidos em 2017. Nada mau, comparado com os 27 do ano passado, ano do nascimento das miúdas, e com os 33 do ano anterior, em que elas ainda eram um projeto. Espero conseguir continuar a manter o ritmo.

- Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
- The last act of love, de Cathy Rentzenbrink
- Némesis, de Philip Roth
- A gorda, de Isabela Figueiredo
- Vida após vida, de Kate Atkinson
- O imenso adeus, de Raymond Chandler
- The book of you, de Claire Kendal
- A peste, de Albert Camus
- Um otimista na América, de Italo Calvino
- O livro do hygge, de Meik Viking
- Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich
- Norma, de Sofi Oksanen
- Goodbye, Columbus, de Philip Roth
- Canção doce, de Leila Slimani
- Barrel fever, de David Sedaris
- Arranha-céus, de J. G. Ballard
- O estrangeiro, de Albert Camus
- Escrito na água, de Paula Hawkins
- Guardas de passagem de nível, de Carlos Cipriano
- A loja dos suicídios, de Jean Teulé
- Miramar, de Naguib Mahfouz
- The girl before, de J.P. Delaney
- O que sabemos do amor, de Raymond Carver
- Mágoas da escola, de Daniel Pennac
- Reino do amanhã, de J. G. Ballard
- O último amanhã, de Adam Croft
- Rosemary´s baby, de Ira Levin
- As últimas testemunhas, de Svetlana Alexievich
- O homem que perseguia a sua sombra, de David Lagercrantz
- The Stepford wives, de Ira Levin
- A amiga genial, de Elena Ferrante
- Hotel, os bastidores, de Inês Brasão
- Diários de uma sala de aula
- Segredos obscuros, de Hjorth & Rosenfeldt
- Sobre a morte e o morrer, de Walter Osswald