21 de julho de 2010

Uma história sobre Oliveiras

Era uma vez 3 irmãos*: João, Joaquim e Maria Augusta, todos nascidos em Currelos, na Beira Alta, entre o final dos anos 20 e o início dos anos 30. Todos Oliveiras.

João, devido a problemas de saúde, cedo se mudou para Lisboa, para mais perto do mar, onde foi criado pelos padrinhos. Joaquim, devido a uma discussão com o pai por causa de um pessegueiro, emigrou para o Brasil, sem nada nem ninguém. Maria Augusta ficou, com o desgosto da mãe e a zanga do pai. João e Joaquim já morreram, um em Lisboa em 1989, outro no Rio em 2006. Desde a partida para o Brasil, julgo que nos anos 50, só se viram uma vez, em Lisboa, e já praticamente sem João ter noção desse encontro. Maria Augusta era o único elo de ligação, que com o tempo se foi perdendo.

João era o pai do meu pai, o meu avô João. E desde há uns tempos que eu e o meu irmão nos interrogávamos se não teríamos primos no Brasil, talvez até parecidos connosco.

No dia 1 de Março deste ano tudo mudou. Recebi uma mensagem no Facebook, com o título «Contato familiar no Brasil». Era o neto mais velho do tio Joaquim, que andava à procura da «família portuguesa». E a partir daí os acontecimentos precipitaram-se: troca de nomes, de contactos, de mails, e agora… a vinda dele e de mais uma prima a Portugal. (Curiosidade: o Vinicius é a cara chapada do meu irmão, em moreno e mais magro…)

Nos últimos dias, descobri e apaixonei-me pela minha nova família, e abriram-se novos horizontes na minha vida. Sinto-me muito, muito feliz e sortuda por saber que tenho uns primos (todos Oliveiras) que parece que conheço desde sempre e de quem agora nos despedimos com as lágrimas a escorrer pela cara abaixo.

É só o princípio de uma história feliz.

* Sei, pelo Geneall, que houve um quarto irmão, mais velho, chamado António Gonçalo, mas os pormenores ficam por aqui.

8 comentários:

Anónimo disse...

lindo!
(1 conselho: não plantem pessegueiros! ;))

Vespinha disse...

:) Ainda não tinha feito essa associação...

(Sabias que os pessegueiros duram uma dúzia de anos e as oliveiras centenas?)

Manel Fevereiro disse...

Também tenho vários primos no Brasil. Alguns já vieram cá. A minha irmã já foi lá conhecer os restantes e foi um encontro que mais pareceu reencontro. Há qualquer coisa de especial na família, qualquer coisa que nos corre no sangue e nos aproxima. Nem sempre é assim, mas quando isso acontece, é mesmo muito bom. Fico feliz por ti.

Mary disse...

Estou morta para ouvir o relato completo, ao vivo e a cores!

P.S.: Foste ao MUDE?

Vespinha disse...

Relatório amanhã! Depois do MUDE, assisti a uma cena surreal... amanhã conto.

sophia disse...

Acho que tenho de me meter nisso do facebook, pode ser que descubra algum Silva perdido pelo mundo

Luísa Cabral disse...

As lágrimas caem-me... ao ler estas palavras... Foi uma descoberta maravilhosa para toda a nossa família. Os nossos avós Germano e Albertina deveriam ficar radiantes com estas descobertas. Para a minha mãe, a Maria Augusta foi o reviver, o renascer do irmão que partiu, sem se ter tido a oportunidade de se despedir... Ela fala dos irmãos com um amor imenso, das saudades, das brincadeiras , de todas as vivências que aqueles três irmãos unidos tiveram na juventude.

Vespinha disse...

É uma história bonita que tem não um final mas uma continuação feliz. :)